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Febre e Autismo


Data: 28/3/2009 comentário 1/1

Pesquisa mostra que febre ameniza temporariamente o autismo

Reuters/Brasil Online
Por Michael Conlon
CHICAGO (Reuters) - A febre pode libertar temporariamente a criança do efeito do autismo, uma descoberta que pode esclarecer as raízes do problema e talvez até fornecer pistas para o tratamento, afirmaram pesquisadores na segunda-feira.
Ao que parece, a febre restaura comunicações celulares nervosas em áreas do cérebro do autista, recuperando por algum tempo a capacidade da criança de interagir e socializar, disse o estudo.
"Os resultados desse estudo são importantes porque eles mostram que o cérebro autista é flexível, capaz de alterar as conexões atuais e formar conexões novas em resposta a experiências ou condições diferentes", disse Andrew Zimmerman, neurologista pediátrico do Instituto Kennedy Krieger, de Baltimore, que foi um dos autores do trabalho.
O estudo, publicado na revista Pediatrics, baseou-se em 30 crianças autistas entre 2 e 18 anos, que foram observadas durante ou depois de uma febre de pelo menos 38 graus Celsius.
Mais de 80 por cento das crianças com febre mostraram melhora no comportamento, e em 30 por cento a melhora foi drástica, disseram os pesquisadores. Entre as mudanças estavam períodos mais longos de atenção, mais fala, mais contato visual e relações melhores com adultos e outras crianças.
A equipe de Zimmerman disse que o efeito da febre já tinha sido observado informalmente por pacientes e médicos.
Lee Grossman, presidente e executivo-chefe da Sociedade de Autismo dos Estados Unidos, contou ter notado o fenômeno com seu próprio filho, que hoje tem 20 anos.
Mas ele afirmou numa entrevista que os autores do estudo disseram que ainda é preciso pesquisar mais para entender o efeito da febre e suas implicações. "É bom que eles tenham percebido isso e estejam levando a questão adiante", disse ele.
Os portadores de transtornos do espectro do autismo sofrem de limitações em graus variados nas suas interações sociais, além de problemas na comunicação verbal e não verbal.
Pelo menos 1,5 milhão de norte-americanos possuem alguma forma de autismo, de acordo com a ASA. Não se sabe o que causa o problema.
Segundo Zimmerman, embora não exista hoje um tratamento definitivo, terapias fonoaudiológicas e de linguagem, iniciadas o quanto antes, "podem fazer uma diferença significativa" .
Para ele, a pesquisa sobre a febre, chefiada por Laura Curran, é uma "pista animadora" que pode ajudar a indicar caminhos para um tratamento que refaça as conexões no cérebro autista.
De acordo com ele, acredita-se que o efeito da febre só aconteça em crianças, porque seus cérebros são mais "plásticos" que os dos adultos.

Por Michael Conlon


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Esta página foi construída em 19/09/99, última atualização 20/03/2009.
Créditos: Eduardo Henrique Corrêa da Silva