AUTISMO
DISCUSSÕES E COMENTÁRIOS
Inicio | Temas

Comportamento - Intervençao Comportamental


Data: 28/3/2009 comentário 1/2

Intervenção comportamental precoce intensiva: uma carta de apoio

" Nós somos pais de uma criança autista de 3 anos . Depois de ler Deixe-me Ouvir Sua Voz e conversar com outros pais que iniciaram uma intervenção comportamental precoce, nós ficamos muito ansiosos para inscrever nosso filho em um programa de intervenção comportamental intensiva precoce. As escolas oficiais são céticas e relutantes. O senhor estaria disposto a nos escrever uma carta de apoio, para nos auxiliar a conseguir esse tipo de tratamento para nosso filho?"
Depois de responder individualmente aos primeiross doze ou mais pedidos, escrevi uma carta genérica de apoio do tipo " A quem possa interessar", a qual foi enviada à famílias nos US, Canadá, e, recentemente, até para Austrália, as quais haviam telefonado, enviado faxes, ou escrito, pedindo ajuda. Uma vez que há muitas outras famílias que poderiam também se beneficiar, aqui, impressa, está minha carta de apoio:
A Quem Possa Interessar:
Como psicólogo com mais de 30 anos de experiência em pesquisa no campo do autismo, e como editor da Revista Internacional de Pesquisa em Autismo, eu gostaria de registrar enfáticamente meu apoio ao valor da intervenção comportamental intensiva e precoce como uma modalidade - na verdade a mais importante modalidade disponível - passível de trazer melhoras à muitas crianças autistas. Meu apoio ao valor da intervenção comportamental intensiva precoce está baseado em duas linhas de evidência :
Pesquisa: não há nenhuma dúvida quanto ao fato de que as pesquisas confirmam inquestionávelmente o benefício da intervenção comportamental precoce no autismo. O primeiro estudo, publicado em 1985 por Fenske et al., do Instituto Princeton de Desenvolvimento Infantil, nos Anais de Intervenção nas Desordens do Desenvolvimento ( vol.5, páginas 849-56) relata que 60% das crianças autistas envolvidas no programa antes dos cinco anos tiveram uma melhora significativa, que possibilitou sua frequência normal em classe ( não sómente uma "inclusão").
O estudo do PCDI atraiu pouca atenção. A publicação de um experimento controlado , no qual 19 crianças participantes de um programa de intervenção comportamental precoce era comparado ( uma relação de observações avaliadas) a um grupo controle de 40 crianças submetidas a intervenções comportamentais menos intensivas, causou um grande interesse em relação às intervenções comportamentais precoces. Nove crianças no grupo experimental (intervenção comportamental precoce) puderam frequentar normalmente a escola, enquanto que, no grupo controle, sómente uma criança teve tal grau de desenvolvimento.
Os resultados tão marcadamente positivos desse estudo do Dr. Ivar Lovaas e colegas, da UCLA, foram tão surpreendentes que os editores da Revista de Psicologia Clínica submeteu o artigo a uma revisão especial a cargo de três editores associados muito respeitados antes da sua publicação ( vol. 65, nº1, 1987, páginas 3-9).
Posteriormente uma continuação do artigo foi publicada, na Revista Americana de Retardo Mental ( vol.4,1993), no qual McEachin, Smith e Lovaas relataram que o excelente progresso educacional e progresso nas habilidades sociais normais, em todos os parâmetros, permaneceu através da adolescência nos participantes do grupo experimental ( intervenção intensiva).
Um número de profissionais altamente respeitados foram convidados a fazer comentários a esse último artigo, e seus comentários foram, quase que em sua totalidade muito favoráveis, publicados no mesmo volume.
Resultados semelhantes, altamente positivos, baseados em intervenção intensiva e precoce, foram obtidos por Harris et al., da Universidade Rutgers, e publicados pela Revista de Autismo e Desordens do Desenvolvimento ( vol. 21, nº3,1991,páginas 261-290). Os estudos PCDI e da UCLA avaliaram crianças autistas de baixo funcionamento, enquanto o estudo de Rutgers avaliou crianças de comprometimento brando a moderado.
Evidências clínicas: desde a publicação do estudo do Dr. Lovaas tenho sido contactado por numerosos pais de todo os US, os quais adotaram uma intervenção comportamental intensiva e precoce para seus filhos, as vezes um programa doméstico, outras através do próprio sistema escolar. Fiquei favorávelmente impressionado com o endosso consistente desses pais à intervenção precoce e intensiva . Uma mãe recentemente me telefonou para contar-me que seu filho teve uma melhora mais consistente, em três semanas de uso do "método intensivo do Dr. Lovaas" que nos três anos anteriores com o programa regular da escola, o qual era específico para auxiliar crianças autistas. Tal entusiasmo não é raro.
Erros de conceito: quando comecei a escrever e fazer palestras sobre modificações comportamentais , em 1965, dois erros conceituais eram prevalentes. Desafortunadamente esses mesmos erros prevalecem atualmente.
Alguns críticos da intervenção comportamental afirmam que ela produz crianças com padrões comportamentais rígidos, como robôs, seriam como focas amestradas. Isso é um absurdo completo.
Em seu excelente livro, Deixe-me Ouvir a Sua Voz, a autora Catherine Maurice conta como seus dois filhos, diagnosticados com autismo severo por renomados neurologistas e psiquiatras da cidade de Nova Iorque, recuperaram-se de tal forma que não há como considerá-los senão como normais, básicamente devido á um programa de intervenção domiciliar intensiva e precoce . Recentemente conversei com Ira Cohen, PhD, e Richard Perry, M.D., que conhecem as duas crianças descritas por Catherine Maurice em seu livro. Eles relatam que não observaram sinais de autismo nessas crianças, e, de fato, eles escreveram um artigo sobre esse fato, que está prestes a ser publicado na Revista da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente.
O segundo erro conceitual é o que pressupõe que a intervenção comportamental sempre usa estímulos negativos. Não é verdade! A intervenção comportamental usa em grande parte reforços positivos, e, mesmo um suave estímulo negativo, como um "não"em voz alta, é raro, se é que alguma vez seja necessário. ( Estímulos negativos eram usados mais frequentemente antigamente na terapia comportamental).
Recuperação do autismo: por que há tanto ceticismo sobre os efeitos da intervenção comportamental precoce ?Não há dúvidas que muitos são céticos, não compreendem, devido ao fato do autismo ser tido como uma desordem biológica, e parece ser improvável que um tratamento comportamental seja tão efetivo. Não subestimem a capacidade do corpo de realizar algo próximo do incrível, deem-lhe um objetivo marcante, treinamento intensivo e de longa duração. Considerem as marcas incríveis de um ginasta olímpico, e a intensidade de treinamento necessária para tal. Os grandes resultados do ginasta só são possíveis graças ao treinamento intensivo. As evidências mostram que é possível, para algumas crianças autistas, aprender como contornar suas dificuldades, desde que iniciem ainda crianças e a prática seja realmente intensiva, uma-terapeuta-para-uma-criança, com 30 horas ou mais por semana.
Mas, o que exatamente é isso que deve ser praticado, para superar o autismo? Eu abordei esse tema em meu artigo de 1965, " Condicionamento Operacional: Um avanço no tratamento da Doença Mental em Crianças". Ninguém sabe por que o condicionamento operacional ( atualmente chamado de modificação comportamental) funciona, nem por que as mudanças no comportamento se generalizam e podem ser aplicadas em tantos novos comportamentos. Sintonizar-se - aprender como focalizar a atenção, decidindo em que prestar atenção - é tão natural para nós que damos como ponto pacífico. Mas você não pode aprender se não não consegue prestar atenção. Crianças autistas, eu sugiro que precisam aprender como concentrar-se, focalizar e dirigir sua atenção. Sem uma motivação específica e imediata, não uma motivação de longo prazo ( como graduar-se na faculdade), sem um programa especialmente direcionado , que lhes possibilite progredir em pequenas etapas, muitos nunca conseguirão aprender. Com o treinamento operacional a criança autista não somente aprende, mas aprende como aprender.
Quando eu escrevi essas palavras, há 30 anos atrás, eu não imaginava quão bem , mesmo crianças autistas severamente prejudicadas, poderiam aprender como organizar sua atenção efetivamente, se as circunstâncias - modificação comportamental intensiva- especificarem que elas devem aprender a ficar atentas.
Nesse mesmo artigo ( que foi baseado na palestra feita na fundação da Sociedade Americana de Autismo em 1965), eu também disse: " o valor de colocar uma criança em uma classe firme e estruturada , com outras crianças - similares a ela , retardadas ou normais- não deve ser menosprezado. Quando o comportamento da criança e sua atenção estiverem controlados, a família e os professores, devem assumir o controle de todo seu aprendizado e socialização…Se os professores e a família da criança são insistentes em que ela se adapte e progrida, e utilizam os princípios descritos acima, então o desenvolvimento dessa criança serão, possívelmente, notáveis."

© 2007-2008 Autism Research Institute

http://www.autism.com/translations/pt/pt_behaviorintervention.htm


Data: 2/6/2010 comentário 2/2

Olá.Sou pedagoga educacional,Marilândia T. Brito,pós graduanda em educação especial e inclusiva.Pretendo em novembro apresentar um projeto de pesquisa na universidade federal do reconcavo baiano,na seleção para o mestrado ,sobre a importancia da terapia comportamental com crianças autistas.Gostaria de recebr mais informações,indicações de leituras e autores sobre o tema.Ainda é uma area muito crarente de profissionais e pretendo com a minha pesquisa e trabalho contribuir com as familias de crianças autistas.nandebrito@hotmail.com.


Faça o seu comentário

Para validação, copie a palavra AUTISMO, exatamente como está escrita, no campo a seguir:









Esta página foi construída em 19/09/99, última atualização 20/03/2009.
Créditos: Eduardo Henrique Corrêa da Silva