AUTISMO
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Aprendizagem


Data: 24/3/2009 comentário 1/5

Estilos de Aprendizagem de Alunos com Autismo

Gary B. Mesibov, Ph.D.,
Diretor da Divisão TEACCH
Universidade da Carolina do Norte


Os pais e os profissionais estão bem cientes das dificuldades que as crianças com autismo têm em muitos ambientes educacionais. Em resposta têm desenvolvido programas alternativos e estratégias de intervenção. Embora alguns destes sejam úteis, a maioria enfatiza a correção das dificuldades comportamentais para melhorar o rendimento educacional. Entretanto, um outro aspecto do problema tem recebido menos atenção: as necessidades específicas de aprendizagem desta população especial. Este artigo identificará algumas características de aprendizagem singulares dos alunos com autismo e as implicações destas práticas educacionais. As necessidades envolvidas incluirão dificuldades organizacionais, distração, problemas em seqüenciar, falta de habilidade em generalizar, e padrões irregulares de pontos fortes e pontos fracos. Embora nenhum destes se aplique à população inteira dos alunos com autismo, estes problemas de aprendizagem são vistos em um grau significativo em uma porcentagem grande destes alunos
A organização é difícil para cada um de nós e especialmente para alunos com autismo. Requer uma compreensão do se quer fazer e um plano para a execução. Estas exigências são suficientemente complexas, inter-relacionadas e abstratas para apresentar obstáculos incríveis para alunos com autismo. Quando fica cara a cara com demandas organizacionais complexas, eles ficam freqüentemente imobilizados e muitas vezes nunca não são capazes de executar as tarefas pedidas.
O desenvolvimento de hábitos sistemáticos e rotinas de trabalho tem sido uma estratégia eficaz para minimizar estas dificuldades organizacionais. Os alunos com rotinas de trabalho estabelecidas da esquerda para a direita, de cima para baixo, não param de trabalhar para planejar onde começar e como prosseguir. As dificuldades organizacionais são minimizadas também com as listas de verificação, as programações visuais , e as instruções visuais mostrando concretamente aos alunos autistas o que foi completado, o que precisa ser terminado, e como prosseguir.
A distração é outro problema comum dos alunos com autismo. Ela toma diversas formas na sala de aula: reagindo aos ruídos externos de carro, acompanhando visualmente os movimentos na sala de aula, ou “estudando” o lápis do professor na mesa ao invés de terminar o trabalho pedido. Embora a maioria de alunos autistas seja distraída por alguma coisa específica, as distrações divergem consideravelmente de uma criança para outra.
A identificação do que distrai cada aluno é o primeiro passo para ajudá-los. Para alguns podem ser estímulos visuais, enquanto para outros podem ser auditivos. As distrações podem estar respondendo a ruídos externos ou a movimentos visuais como também podem não se concentrar em aspectos centrais de tarefas pedidas. As avaliações cuidadosas das distrações individuais são cruciais. Depois destas avaliações as modificações ambientais podem ser feitas: podem envolver a disposição física da área de trabalho do aluno, a apresentação de tarefas relacionadas ao trabalho, ou muitas outras possibilidades.
A sequenciação é outra área de dificuldade. Estes alunos freqüentemente não podem se lembram da ordem precisa das tarefas, porque se atém de forma concreta a detalhes específicos e nem sempre vêem relação entre elas. Porque as seqüências implicam nestas relações, são freqüentemente desconsideradas.
As rotinas consistentes de trabalho e as instruções visuais compensam essas dificuldades. As instruções visuais podem destacar seqüências de eventos e fazer com que os alunos autistas se lembrem da ordem adequada a seguir. A figura visual permanece atual e concreta, ajudando o aluno seguir a seqüência desejada. O estabelecimento de hábitos sistemáticos de trabalho é também útil; um aluno que trabalhe sempre da esquerda para a direita pode ter o trabalho apresentado na seqüência correta.
As dificuldades com generalização são bem conhecidas no autismo e têm implicações importantes para práticas educacionais. Os alunos com autismo freqüentemente não podem aplicar o que aprenderam em uma situação específica a ambientes/contextos semelhantes. A generalização adequada requer uma compreensão dos princípios fundamentais nas seqüências aprendidas e nas maneiras sutis pelas quais elas são aplicáveis a outras situações. Se prendendo a detalhes específicos, os alunos com autismo freqüentemente perdem esses princípios centrais e suas aplicações.
A colaboração entre os pais e profissionais e a instrução de base comunitária são maneiras importantes para melhorar a generalização nos alunos com autismo. Quanto maior for o empenho pela coordenação entre a casa e a escola, maior a probabilidade dos alunos aplicarem o que aprenderam a situações/contextos/ambientes diferentes. O uso de abordagens semelhantes e a ênfase em habilidades semelhantes são as maneiras pelas quais os pais e os profissionais podem colaborar para melhorar as habilidades da generalização das habilidades de seus alunos.
Um ensino de base comunitária é também importante para melhorar as habilidades de generalização. Porque nosso objetivo final é um treinamento bem sucedido de base comunitária, as atividades devem estar disponíveis em todos os programas educacionais. Isto deveria incluir passeios regulares ao campo real de atuação com uma freqüência crescente à medida que os alunos ficam mais velhos, oferecer oportunidades de trabalhos na comunidade em contextos 'reais', e atividades de lazer na comunidade.

Os perfis irregulares das habilidades e dos déficits são características bem documentadas nos alunos com autismo. Também estão entre os mais difíceis para se desenvolver programas específicos para eles. Um aluno autista pode ter a habilidade extraordinária de estabelecer relações espaciais ou de entender conceitos numéricos, mas ser incapaz de usar estes pontos fortes por causa das limitações organizacionais e de comunicação. São necessários professores com habilidade e com experiência, em ensinar na presença destes pontos fortes e fracos tão singulares!
Ensinar alunos com esta ampla gama de habilidades requer avaliações completas de todos os aspectos de seu funcionamento. Isto não pode se restringir às habilidades acadêmicas, mas deve também incluir os estilos de aprendizagem, distratibilidade, funcionamento em situações de grupo, em habilidades independentes, e em tudo mais que possa ter impacto sobre a situação de aprendizagem. Os estilos de aprendizagem são especialmente importantes para o processo da avaliação porque são essenciais para liberar o potencial de aprendizagem.
Como cada criança com autismo processa a informação e quais são as melhores estratégias de ensino devido à singularidade de seus pontos fortes, interesses e habilidades em potencial? Um professor hábil pode abrir a porta para várias oportunidades. Os adultos com o autismo que trabalham em bibliotecas, com computadores, em restaurantes, e muitos outros ambientes; são evidências que, se tiverem instrução adequada, podem se tornar adultos produtivos. Porém, um número excessivo de programas de educação não reconhece os pontos fortes e déficits singulares deste grupo enigmático de aprendizes.
A principal possibilidade para uma melhoria constante é uma maior consideração das suas singularidades e mais treinamento para profissionais para ajuda-los a entender seus estilos de aprendizagem.
Tradução: Cristiane Donato Zia
Revisão: Marialice de Castro Vatavuk


Data: 27/1/2010 comentário 2/5

Gostei mto do texto, pois tenho procurado formas de estimular meu menino de dois anos e meio c sintomas de um autismo leve, mas ele não se concentra em cores, formas, apenas nos bichos! Matriculei este ano numa escola mto boa e numa fono, tb estou tentando terapia ocupacional q ele tem indicação, mas gostaria de ajudar em casa, como posso fazer.... Meu email p contato é cintia_igor@yahoo.com.br Obrigada pela atenção!


Data: 25/4/2010 comentário 3/5


EU TRABALHEI COM CRIANÇAS AUTISTA, MAS E MUITO DIFICIL, POIS A MAIORIA DELES NÃO CONSEGUE CONCENTRA-SE NAS ATIVIDADE, E PRECISO CRIAR UMA ROTINA E SEMPRE ESTAR MUDANDO AOS POUCOS, POIS ESSAS CRIANÇAS PRECISAM TER SEMPRE UMA SEQUÊNCIA DE TUDO QUE VÃO FAZER.


Data: 17/5/2010 comentário 4/5

ESTE AJUDOU MUITO A PROFESSORA DO MEU FILHO DE 5 ANOS À ENTENDER E ENQUADRAR MEU FILHO DE 5 ANOS COM AUTISMO LEVE NAS CARACTERISTICAS DESCRITAS,ASSIM SEU TRABALHO COM ELE FICOU MAIS CLARO , COMPREENCIVO E DINAMICO.


Data: 1/7/2013 comentário 5/5

GOSTEI MUITO DO ARTIGO. SOU PSICOPEDAGOGA E ESTOU AGORA TRABALHANDO COM DUAS CRIANÇAS COM AUTISMO LEVE. GOSTARIA DE SABER SE VCS TEM MAIS LETERATURA QUE FALE SOBRE ATIVIDADES PARA DESENVOLVER COM AUTISTAS. MEU E-MAIL : leonilia_solon@yahoo.com.br. Caso possam me ajudar enviando nomes de autores e livros que falam sobre a aprendizagem dos autistas ficarem muito agradecida


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Esta página foi construída em 19/09/99, última atualização 20/03/2009.
Créditos: Eduardo Henrique Corrêa da Silva