FAZENDO A TRANSIÇÃO DO MUNDO DA ESCOLA PARA O MUNDO DO TRABALHO
TEMPLE GRANDIN - Ph.D - Assistente de Professor - Universidade do Colorado
Encontrado na INTERNET por Tereza Cristina (APAE de Betim-MG) e traduzido por Kathia (Delegada Regional e funcionária da APAE (Betim-MG)
Durante minhas viagens para inúmeras conferências sobre autismo, observei muitos casos tristes de pessoas com autismo que completaram com sucesso o ginásio ou a faculdade, mas foram incapazes de fazer a transição para o mundo do trabalho. Alguns tornaram-se estudantes perpétuos porque tiveram estímulo intelectual na faculdade.
Para muitas pessoas com autismo, os anos de faculdade foram os seus melhores (Szatamari et al... 1989.).
Eu gostaria de reforçar a importância de uma transição gradual de um estabelecimento educacional para uma carreira. Eu fiz a transição gradualmente. Minha presente carreira de projetar de equipamentos para criação de gado é baseado em uma fixação de infância. Eu usava essa minha fixação para ajudar-me a tornar um expert em cuidar do gado. Equipamentos por mim projetados estão em todas as maiores industrias de carne. Também estimulei a industria de carne a reconhecer a importância do tratamento ao gado. Enquanto estava na faculdade, comecei a visitar as industrias locais de alimentação e de empacotamento de carne. Isso fez com que eu aprendesse sobre a industria.
Muitas pessoas autistas de sucesso tornaram fixações antigas a base de suas carreiras. Eu tive sorte ao encontrar Tom Rohrer, o diretor gerente local da Swift meat packing (Swift empacotadora de carne) e Ted Gilbert, gerente da Red River Feedlot (John Wayhes feedlot). Eles permitiram que eu visitasse as operações toda semana. Eles reconheceram meu talento e toleraram minhas excentricidades. Essas pessoas me serviram como importantes mentores.
Educadores que trabalham com estudantes autistas precisam achar este tipo de pessoas na comunidade dos negócios. Eu terminei chegando a Universidade Estadual do Arizona com uma tese de mestrado sobre a criação de gado e ao mesmo tempo escrevi artigos para a revista Farmer Rachman Magazine. Isto me ajudou a conhecer mais sobre a industria de criação de gado e aumentar minha experiência.
Meu próximo passo foi conseguir um emprego em uma grande companhia de alimentação. Emil Winnisky, o gerente, reconheceu meus trabalhos em desenhos (projetos). Ele também serviu como um terceiro e importante mentor, forçando-me a agir conforme algumas regras sociais. Ele fez sua secretaria me levou para comprar roupas melhores. Naquela época eu fiquei ressentida, mas hoje eu sei que ele me fez um grande favor. Ele também me disse que eu deveria fazer certas "gentilezas", como por exemplo, usar desodorante. Eu tinha que mudar. Eu estava mais interessada em ler esta passagem em um dos escritos de "Kanner" sobre pessoas com autismo que se adaptam com sucesso: "Diferente da maioria das crianças autistas, elas se tornam conscientes de suas particularidades e começam a fazer um esforço consciente para fazer alguma coisa por elas". (Kanner et al 1972).
Emil também era excêntrico e isso podia explicar porque ele me contratou. Cerca de seis meses depois que fui contratado, Emil foi despedido. Eu continuei a trabalhar por cerca de mais um ano e pedi demissão, porque fui convidado a participar de negócios altamente questionáveis.
Enquanto eu estava na companhia , aprendi desenho com o Davy, um maravilhoso desenhista. Davy esta tímido e solitário, e fazia os mais belos desenhos. Dos contatos que fiz na companhia, comecei a fazer trabalhos de desenhos (projetos) independentes. Comecei com um trabalho de cada vez. As pessoas respeitavam meu talento e eu logo desenvolvi a reputação de um expert. Enquanto eu vagarosamente construía meu negócio, eu tinha recursos financeiros suficientes, então não precisava trabalhar no Mc Donalds para pagar as contas.
O trabalho independente possibilitou as pessoas com autismo serem bem sucedidas e explorarem seus talentos. Programação de computadores e frequentemente uma boa área. Para começar um negócio, pessoas com autismo precisam de alguém para ajudá-los a obter trabalho no início.
Um negócio independente também ajuda a evitar problemas sociais decorrentes de trabalhar em um só lugar. Eu posso continuar, desenhar e então ir embora antes de me envolver em uma situação social que poderia criar problemas.
Outros trabalhos independentes que poderiam funcionar bem com pessoas autistas são afinação de pianos, conserto de motores, artes gráfica. Esses trabalhos se utilizam de habilidades que muitas pessoas com autismo possuem como habilidades mecânicas e talento artístico.
Aprender a trabalhar é fácil. Muitos autistas esperam que todas as pessoas sejam boas. É duro perceber que algumas pessoas são ruins e podem tentar explorá-los. Essa é uma lição que uma pessoa autista independente deve aprender. Para pessoas com autismo que trabalham em manufatura de nível mais baixo, os outros empregados deveriam ser treinados para ajudá-los. OS COLEGAS DE TRABALHO DEVERIAM APRENDER A ENTENDER O QUE É AUTISMO.
Um autista que tenha um trabalho de nível mais alto pode evitar problemas mantendo sua mente no trabalho. Um homem trabalhou 5 anos em um laboratório e seu chefe estava contente com seu trabalho. Um dia ele teve problemas quando foi beber com seus companheiros e foi despedido. Ele estaria melhor se tivesse recusado o convite de ir beber. Para evitar problemas, eu mantenho contato com clientes no departamento técnico. Namorar ou flertar com pessoas nos locais de trabalho dos meus clientes poderia causar muitos problemas, então eu não o faço.
ESTUDO SOBRE AUTISMO
Existem dois principais estudos sobre adultos com autismo que fizeram um ajustamento satisfatório. Szatmari et al (1989) descreveu seis casos de adultos que se graduaram na faculdade e foram capazes de viver independentemente. Uma dessas pessoas se tornou um estudante perpétuo e os outros cinco tem empregos. Há uma tendência em pessoas com autismo em tornar-se estudantes perpétuos porque eles gostam de vida estimulantes, porem estruturada da faculdade. Duas pessoas dos estudos de Szatmari tornaram-se vendedores e duas trabalham em uma livraria. A quinta pessoa tornou-se um instrutor físico. Instrutor físico seria uma boa profissão para ser exercida de forma independente. Pessoas com autismo são geralmente boas para ensinar outros em suas áreas de habilidades especiais.
Jason Utley, do Kentucky dominou a habilidade de tornar-se escoteiro e os outros escoteiros gostavam dele porque ele lhes ensinava como fazer nós. Ensinar a vender envolve interação social (relacionamento), mas é frequentemente a única interação que as pessoas com autismo conseguem para falar de sua área de interesse. Isso não requer um entendimento complexo das relações sociais.
Kanner et al (1971) estudou nove casos nos quais um bom ajustamento foi feito. Cinco dessas pessoas tinham emprego. Os empregos eram: caixa bancário, químico, contador, livreiro e trabalhador da estação de agricultura experimental. Uma dessas pessoas foi despedida do emprego devido a problemas sociais. Os empregos que tiveram sucesso não envolviam interações sociais complexas. As interações de uma caixa de banco podem ser rotineiras e estereotipadas.
A pessoa que se tornou um químico, originalmente tinha um trabalho de enfermagem. Esse trabalho foi um desastre, porque ela não sabia como ser flexível. Ela aprendeu em um livro de enfermagem que mães deveriam ninar seus filhos somente vinte minutos. Quando ela abruptamente tirava os bebes de suas mães na seção de obstetrícia, estas ficavam bravas. Ela não conseguia entender por que. Quando ela mudou para o laboratório de química, teve seu conhecimento de química apreciado.
A pessoa que é um contador foi despedido de uma emprego anterior após ser promovido para uma função de supervisor.
Eu ouvi sobre um outro caso de uma pessoa autista que tinha um bem sucedido emprego de desenhista por muitos anos em uma firma de arquitetura. Quando ele foi promovido e teve que se envolver com clientes, foi despedido. Ele deveria ter sido deixado na sua prancheta de desenho.
Em resumo, uma pessoa com autismo e capaz de fazer uma bem sucedida transição para uma carreira ou emprego.
1 - TRANSIÇÕES GRADUAIS: O trabalho deve começar por períodos curtos enquanto a pessoa ainda esta na escola.
2 - EMPREGADOS DE SUPORTE (APOIO): Pai e educadores precisam achar empregados que queiram trabalhar com pessoas autistas.
3 - MENTORES: Pessoas com autismo precisam de mentores que possam ser ao mesmo tempo amigos especiais e ajudá-los a aprender habilidades sociais. Os mentores mais bem sucedidos tem interesses comuns com os autistas.
4 - EMPREGADORES E EMPREGADOS EDUCADOS: Ambos, empregados e empregadores, precisam ser educados sobre autismo para que possam apoiar o autista e ajudá-lo. Eles precisam também entender as limitações do autista com relação as interações sociais complexas para ajudá-los a evitar situações que possam causar a perda do emprego.
5 - TRABALHO INDEPENDENTE: É geralmente uma boa opção para pessoas que tenham habilidades especiais em computadores, música ou artes. A pessoa com autismo necessita alguém que a ajude a começar um negócio e provavelmente ensinar os clientes sobre autismo.
Trabalho independente bem sucedido deve começar com programação de computadores, oficina de pianos ou artes gráficas.
6 - FAZER UM PORTFÓLIO (CATÁLOGO DEMONSTRATIVO): Autistas devem vender suas habilidades ao invés de suas personalidades. Eles deveriam fazer portfólio de seu trabalho. Autistas podem fazer copias coloridas de seus trabalhos e programadores de computador podem fazer disquete de demonstração.
Os portfólios devem ser mostrados para as pessoas nos departamentos de arte ou computação. Em todos os meus empregos, eu tive de entrar pela "porta dos fundos". Desde que os autistas tem dificuldades em entrevistas, o departamento pessoal deve ser evitado. Pessoas técnicas respeitam o talento e os autistas devem vender seus talentos para um empregador.